8 referências sobre sociologia da literatura

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Literatura é um tema que gostamos e sobre o qual já tivemos alguns pitacos por aqui, em diversas frentes como gênero de romance, autores portugueses, ficção científica ou literatura afro para crianças e adolescentes.

Bom, hoje vamos tratar que navega nesse universo, mas em uma perspectiva mais analítica: sociologia da literatura.

Como o nome já parece deixar explícito, se trata de um campo da sociologia destinado a compreender (e isso parece tarefa bem das difíceis) as relações entre obras literárias e contextos sociais, culturais nos quais se inserem.

Para nos ajudar a essa tarefa, a pesquisadora Vera Ceccarello, doutoranda pela Unicamp no tema, nos traz alguns pitacos de referências que podemos buscar para conhecer um pouco mais desse campo de estudos. E é com ela que deixamos a palavra. Bons pitacos!

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Trabalhar com literatura e sociedade é algo extremamente prazeroso, mas que também exige muitos esforços de conciliação dos termos e perspectivas. Na academia, a briga é longa e grande. Um acusa o outro de purismo e são poucos os que conseguem dar conta desse debate sem cair em esquematismos fechados. A literatura como forma de arte e expressão de uma sociedade é quase um consenso. O que varia é a maneira pela qual cada um dos autores entende a função da literatura e o papel que ela exerce.

Vou usar o caso do Machado de Assis como exemplo para tentar deixar mais claro.

Machado de Assis

Machado de Assis

Uns acabam dando maior peso para o contexto social no qual a obra foi publicada. Ou seja, é como se a sociedade brasileira do segundo reinado fizesse com que o bruxo do Cosme Velho escrevesse sobre casamentos feitos, desfeitos, refeitos ou não-feitos porque aquilo refletia o momento no qual a sociedade se encontrava.

Outros entendem que a biografia do autor e o que ele viveu pessoalmente interfere na obra. Por exemplo, muitos hão de dizer que o fato de Machado de Assis ser mulato e filho de trabalhadores faz com que sua obra tem esse caráter crítico e irônico diante das hipocrisias sociais mais abastadas, digamos assim.

E há aqueles que consideram que a obra tem uma independência tamanha do contexto em que ela foi produzida que pouco importa se Brás Cubas viveu no Rio de Janeiro no século XIX ou na Alta Birmânia. Sobre isso, não há muito o que dizer. O texto diz tudo e ponto. Análise formal e interna apenas.

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Outros ainda entendem que o ideal é compreender de que forma a obra literária serve como mediadora entre um determinado momento histórico e a literatura. O livro não seria uma cópia exata do contexto, mas uma representação que passa pelo crivo criador de quem escreve. Não é totalmente exata ao real, mas guarda semelhanças importantes com ele.

No fim das contas, quanto mais elementos puderem ser abarcados – sejam eles psicológicos, biográficos, históricos, sociais, políticos ou formais – mais consistente será a análise e melhor poderá desvelar sobre um determinado texto (obviamente, a metodologia que será utilizada para tal também revelará qual o objetivo do pesquisador).

Portanto, elenquei alguns nomes (às vezes queria mais de uma obra por autor, confesso) como referências sobre inicial sobre esse tema.

Vamos aos pitacos:

1) Literatura e Sociedade – Antônio Candido.

2) Um mestre na periferia do capitalismo – Roberto Schwarz.

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3) Mimeses – Eric Auerbach.

4) Ensaios sobre literatura – Georg Lukács (especialmente “Narrar ou descrever”).

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5) A sociologia do romance – Lucien Goldman.

6) Marxismo e literatura – Raymond Williams.

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7) Notas sobre literatura – Theodore Adorno.

8) As regras da arte – Pierre Bourdieu.

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E aí? Gostou dos pitacos? Tem mais referências sobre o assunto? Deixe seus comentários abaixo!

 

Pitacos por:

Vera Ceccarello

Doutoranda em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Já trabalhou com a obra de Milton Hatoum e hoje estuda Machado de Assis e Oswald de Andrade.