8 referências sobre antropologia da arte (parte 1)

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Quem não gosta de pitacos??

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Faz um tempinho que não aparecíamos por aqui né? Eleições, correria dos contribuidores etc. Mas estamos de volta, e com um tema bem interessante.

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Arte. Já temos tratado sobre arte em alguns posts (para @s esquecid@s: aqui, aqui e aqui), e definitivamente é um tema tão rico que merece vários recortes. Os pitacos de hoje contribuem nessa linha: referência sobre antropologia da arte. Massa, não?

Para falar sobre o assunto, contamos com a contribuição do antropólogo Leonardo Bertolossi, para quem damos a palavra para nos explicar um pouco sobre esse campo de estudos. Bons pitacos!

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O que difere uma antropologia da arte da sociologia da arte ou da filosofia da arte?

Enquanto a sociologia da arte se debruça sobre o campo artístico, seu mundo, gostos, distinções, capitais, cooperações e desvios onde participam seus personagens e a filosofia da arte se indaga sobre o pensamento em torno da estética de forma por vezes autônoma ao mundo social, talvez o que singularize a antropologia da arte seja o fato de o conceito mesmo de arte ser posto em questão.

É possível falar de uma arte universal que se expressa através de uma diversidade de expressões culturais? Alguns antropólogos apostam que sim (partidários da etno-estética), outros criticam o conceito e localizam seu etnocentrismo numa genealogia que remete ao romantismo alemão, à Kant e ao pensamento euro-americano com suas instituições e personagens que autenticam e autorizam determinados objetos como artísticos e seus produtores como artistas.

É possível, portanto, falar de uma estética transcultural e de uma arte autônoma? Ou a ideia de arte e/ou imagem estaria relacionada à vida cotidiana e aos rituais em outras sociocosmologias? E quando esses objetos e imagens transitam entre diferentes mundos e recintos, quais ficções são produzidas através destas fricções simbólicas (e também ontológicas)? Seriam estes suportes materiais e imateriais apenas objetos passíveis de contemplação, ou também teriam ação sobre nossos corpos e cognições? Algumas das sugestões bibliográficas abaixo abordam os temas aqui mencionados, boa leitura!

Vamos aos pitacos:

1)      BOAS, Franz. Primitive Art. New York: Dover Publications, 1955.

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2)      LÉVI-STRAUSS, Claude. O Desdobramento da Representação nas Artes da Ásia e da América. In: Antropologia Estrutural. São Paulo: Cosac Naify, 2008. pp. 261-291.

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3)      GEERTZ, Clifford. Arte como um Sistema Cultural. In: O Saber Local: Novos Ensaios em Antropologia Interpretativa. Petrópolis: Vozes, 2008. pp. 142-181.

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4)      GELL, Alfred. Art and Agency: An Anthropological Theory. Oxford: Claredon, 1998.

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5)      PRICE, Sally. Arte Primitiva em Centros Civilizados. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2000.

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6)      WEINER et ali. Aesthetics is a Cross-Cultural Category? In: INGOLD, Tim (ed). Key Debates in Anthropology. New York: Routledge, 1996. pp. 251-293.

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7)      MORPHY, Howard. Becoming Art: Exploring Cross Cultural Categories. Sidney: University of South Australia Press, 2008.

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8)      LAGROU, Els. Antropologia e Arte: Uma Relação de Amor e Ódio. In: Ilha: Revista de Antropologia. Vol. 5. No. 2. Florianópolis: PPGAS/UFSC. pp. 93-113.

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E aí, gostou dos pitacos? Conhece mais referências sobre o assunto? Deixe seus comentários abaixo!

Vale dizer que essa é a parte 1 – logo soltaremos a parte 2, ok?

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Bons pitacos!

 

Pitacos por:

Leonardo Bertolossi

Bacharel e Licenciado em História pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (2006), e Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional (2010), ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ex-professor substituto de Antropologia Cultural na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. No mestrado, pesquisou as políticas e poéticas de representação indígenas norte-americanas do National Museum of the American Indian, em Washington D.C, Maryland e Nova York. No doutorado, realizado junto ao Departamento de Antropologia Social da Universidade de São Paulo, pesquisa as interseções entre o circuito e o mercado primário de arte contemporânea nos anos 1980 e 1990, com destaque para o “boom” de novas galerias decorrentes do surgimento da Geração 80 e da internacionalização da arte brasileira na década seguinte. É especializando em História da Arte e da Arquitetura no Brasil na PUC-Rio.