7 referências sobre estudos de gênero [#nenhumamulhermereceserestuprada] [#ninguemmerece]

Foto retirada de http://revistagambiarra.com.br/site/editorial-eu-nao-mereco-ser-estuprada/

Questões de gênero têm percorrido debates públicos há algumas décadas. Seja pelo ativismo a favor da igualdade, seja a denúncia sobre uma série de violências (físicas e simbólicas) sofridas constantemente pelas  mulheres, este é um campo de estudos necessário e importante, que tende a iluminar possibilidades, reflexões e soluções com impacto direto no cotidiano de toda a sociedade.

Os pitacos são sobre o tema, referências de estudos de gênero, dados pela pesquisadora Íris do Carmo (Doutoranda – Unicamp), que trazem alguns títulos interessantes para temática.

pitacodemia-ideafixa-genero11

Razões para um post como este não faltam, mas vale ressaltar um fato recente que nos estimula a trazer essa lista de referências: uma pesquisa feita por um instituto que apontara alta porcentagem de pessoas que concordavam com a ideia de que a maior culpada por ataques sexuais é a próxima vítima. Não é  apenas um absurdo essa perspectiva, mas infelizmente recorrente (e talvez com números mais altos e introjetados na sociedade do que qualquer pesquisa poderia captar). Além disso, inúmeros casos de violência contra mulher são noticiados e denunciados há todo momento.

Fica a mensagem desse blog que apoia a luta pela igualdade de gênero (em todas as instâncias) e acredita veementemente que #NENHUMAMULHERMERECESERESTUPRADA #NINGUEMMERECE.

 

A palavra é da Íris. Bons Pitacos!

pitacodemia-ideafixa-genero10

pitacodemia-naomereco

Foto retirada do blog http://naomerecoserestuprada.tumblr.com

A despeito da sua história relativamente recente, o campo dos Estudos de gênero – que tem como marco inicial a década de 1970 –, se apresenta hoje múltiplo e em constante interlocução e retroalimentação com o(s) movimento(s) feminista(s). Colocando a contingência social, cultural e histórica da distinção masculino/feminino, as teorias sobre o gênero são, atualmente, interdisciplinares e partem de referenciais da história, filosofia, ciências sociais, psicologia e outras.

Abaixo, segue uma sugestão de breve passeio por esta produção, a qual buscou exprimir a crescente diversidade e polissemia de categorias como gênero, sexo, corpo, identidade e mulher.  A seleção privilegiou especialmente a produção anglofônica, mas é preciso salientar que, dada a pluralidade de saberes, há uma intensa produção e pesquisas sendo realizadas sobre o tema na América Latina, as quais tem revisitado criticamente referências aqui listadas.

pitacodemia-ideafixa-genero9

Vamos aos pitacos, com comentários das referências:

1) BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo.

Considerado um clássico, O Segundo Sexo foi escrito em 1949 e é um marco pros estudos de gênero na medida em que, dialogando com os determinismos da biologia, da psicanálise e do materialismo histórico, postulou que “ninguém nasce mulher”.

pitacodemia-ideafixa-genero8

2) MILLET, Kate. Política Sexual.

O Segundo Sexo serviu de inspiração para diversas produções nas décadas de 1960 e 1970, destacando-se Política Sexual (1971), o qual pode ser lido como um esforço inicial de construção de uma teoria geral e sistêmica acerca da “opressão feminina” por meio da apropriação feminista do termo “patriarcado”.

pitacodemia-ideafixa-genero7

3) NICHOLSON, Linda. Interpretando o gênero.

Neste texto, a autora traça uma valiosa genealogia da categoria gênero, expondo modos como a relação entre corpo e identidade foi tratada de forma dualista no desenvolvimento inicial das teorias feministas no ocidente.

pitacodemia-ideafixa-genero6

4) HOOKS, bell. Black Women: Shaping Feminist Theory.

Em uma revisão crítica de certas produções que se tornaram clássicas, neste texto hooks propõe que o gênero é desde sempre “racializado”, assim como a raça é “gendrada”, produzindo uma inflexão no campo das teorias feministas que pretendiam falar de um sujeito universal (“a mulher”).

pitacodemia-ideafixa-genero5

5) BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade.

No livro que se tornou clássico, Butler tematizou o sujeito político do feminismo tal como concebido em obras como O Segundo Sexo. A partir da articulação de gênero, sexo e sexualidade, ela colocou o corpo como objeto de investimento político a partir do que chamou de “matriz heterossexual”.

pitacodemia-ideafixa-genero4

6) LAQUER, Thomas. Inventando o Sexo: corpo e gênero dos gregos à Freud.

Neste livro de inspiração foucaultiana, Laquer coloca em questão os corpos e as fronteiras corporais enquanto efeitos de certa economia de poder. Para o autor, nosso modelo que pensa os corpos como cindidos em dois sexos descontínuos e binários é uma “invenção” historicamente situada, forjada no ocidente nos séculos XVIII e XIX.

pitacodemia-ideafixa-genero3

7) SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil para a análise histórica.

Distanciando-se das teorias do patriarcado ao propor que gênero é uma categoria analítica que diz respeito a relações de poder, talvez a grande contribuição deste artigo, bastante citado atualmente no país, resida em indicar que gênero não é sinônimo de “mulher”, tal como é recorrentemente utilizado na literatura.

pitacodemia-ideafixa-genero2

O que achou dos pitacos? Você teria mais referências sobre o tema para recomendar? Deixe seus pitacos abaixo!

Bons Pitacos!
Pitacos por:
Íris Nery do Carmo
Doutoranda em Ciências Sociais (Universidade Estadual de Campinas).

pitacodemia-ideafixa-genero1

Fotos retiradas de:

Imagem destacada: Kelvin Yule Fotografia

Imagem do texto: Blog http://naomerecoserestuprada.tumblr.com/

Imagens dos posters: Carol Rossetti Design