7 referências [acadêmicas] sobre Racionais MC’s

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Pitacodemia está de volta em 2017!

E começamos o ano, que promete de muitos pitacos, com referências bem legais de um tema muito mais legal ainda: hip hop. Ou melhor, de um dos ícones do que representa o universo do hip hop brasileiro: Racionais MC’s.

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Provocados por uma boa matéria no Pragmatismo Político e pelos pitacos da historiadora Marcia Cris Effe, trouxemos aqui algumas referências interessantes para quem deseja se aprofundar em estudos e reflexões feitas sobre o consagrado grupo de rap Racionais MC’s. Com certeza são referências que nos ajudam a pensar cultura, periferias, hip hop (como movimentos), protagonismo periférico, entre outros. Afinal, quem disse que hip hop não é tema de pesquisa acadêmica séria?

 

Ah, para ler esse post, tem trilha ;)

Aqui os pitacos:

1) Doutorado de Rogério Souza Silva, “A Periferia Pede Passagem: Trajetória social e Intelectual de Mano Brown.

Resumo: O presente trabalho discute a importância do movimento hip hop na transformação da vida de milhares de jovens das periferias das grandes cidades brasileiras. Para isso, analisa a trajetória social e intelectual de Mano Brown, líder do grupo de rap Racionais MC’s. Defendemos que o movimento hip hop, mesmo com as suas contradições e incongruências, possibilita que os seus integrantes alcancem uma visão crítica do mundo, ganhem visibilidade social e, no limite, não adentrem no mundo do crime.

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2) Doutorado de Tiaraju Pablo, “A formação dos sujeitos periféricos: cultura e política na periferia de São Paulo“.

Resumo: O objetivo desta tese é basicamente problematizar quatro questões: quais são os sentidos e os significados que estão em jogo para o termo periferia; qual é a influência da atuação dos coletivos artísticos da periferia na formulação de um novo significado para o termo periferia; por que houve uma explosão de atividades culturais na periferia nos últimos vinte anos e; qual o caráter e o alcance da ação política desses coletivos artísticos. Para tanto, o texto parte do contexto social da década de 1990, quando as periferias de São Paulo sofriam os desdobramentos do neoliberalismo e um alto índice de homicídios. Logo, o texto aponta algumas mudanças ocorridas nas últimas duas décadas nessas periferias. Algumas delas são o aumento do número de coletivos artísticos nesses bairros, tema principal desta tese; o crescimento evangélico e a presença do PCC. Também se discorre sobre o aumento da atuação de ONGs e do poder público nas periferias. Por fim, o texto conceitua a obra do grupo de rap Racionais MC´s como sendo a narrativa legitimada por essa população para contar sua história e discorre sobre uma nova subjetividade surgida na periferia e centrada no orgulho dessa condição. O indivíduo que passa a agir politicamente a partir desse orgulho é denominado neste trabalho como sujeito periférico. O texto discorre também sobre como três campos discursivos obtiveram a preponderância para definir o que seja periferia em distintos tempos históricos. Estes campos discursivos são: o discurso acadêmico, os coletivos artísticos da periferia e a indústria do entretenimento. Logo, realiza uma aprofundada análise histórica, social e política da obra dos Racionais MC´s tentando entender por que o discurso enunciado por esse grupo causou tanto impacto nas periferias e criou uma nova forma de entendimento sobre o que seja periferia para o todo da sociedade, além de influenciar a própria auto-imagem que os moradores da periferia passaram a possuir de si mesmos. Entrelaçado a esse fenômeno, o texto discute como nos últimos vinte anos houve um alargamento do significado do termo periferia, que já não passa a ser definido somente pelo binômio pobreza e violência, mas também pelos elementos cultura e potência. No entanto, esta potencialidade da população periférica pode ser utilizada para sua afirmação política ou para fins mercadológicos, expressos em uma certa celebração dos pobres visualizada na atualidade que por um lado esvazia o caráter crítico do termo periferia e por outro celebra a denominada Classe C. Por fim, esta tese apresenta os resultados de pesquisas etnográficas realizadas em coletivos artísticos da periferia de São Paulo discutindo como estes coletivos influenciaram na ressemantização do termo periferia. Também se problematiza neste trabalho o labor estético e fundamentalmente político desses coletivos, em um contexto de crise das formas clássicas de mobilização política.

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3) Doutorado de Acauam Oliveira, “O fim da canção? Racionais MC’s como efeito colateral do sistema cancional brasileiro”

Resumo: Em dezembro de 2004, Chico Buarque lançou a hipótese de que o rap talvez representasse o fim da canção tal como a conhecemos: ou seja, aquela tradição que se caracteriza por um princípio formal melódico-entoativo que realiza esteticamente certa dinâmica de encontros culturais presentes na sociedade brasileira, e que foi incorporada a um projeto de modernização a partir da Bossa Nova. O objetivo desse trabalho é adentrar esse debate compreendendo o sentido mais amplo de seus termos, delimitando mais precisamente qual é essa tradição, o que a tornou possível, e o que se esgotou em sua forma. A partir desse reconhecimento inicial, iremos nos debruçar sobre aquele modelo estético que emerge a partir desse esgotamento, acompanhando detidamente aquela que é uma de suas mais bem realizadas elaborações – a produção do grupo paulistano Racionais MCs, verdadeiro acontecimento que modifica as coordenadas nas quais a música popular brasileira se reconhece. Os raps criados pelo grupo instauram um novo paradigma na canção , ao se vincular a um projeto civilizatório que rompe com certa tradição cordial brasileira, construindo um novo ponto de vista a partir da periferia.

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4) Artigo de Walter Garcia, “Elementos para a crítica da estética do Racionais MC’s (1990-2006)“.

Resumo: O artigo analisa alguns recursos poéticos e musicais dos raps “Hey Boy”(1990), “Homem na estrada” (1993), “Capítulo 4, versículo 3” (1997) e “Negro drama”(2002) e busca identificar elementos para a crítica da estética do Racionais MC’s.Palavras-Chave: Racionais MC’s, Rap brasileiro, Música popular brasileira, Sociedade brasileira contemporânea.

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5) Artigo de Walter Garcia, Sobre uma cena de “Fim de semana no Parque”, do Racionais MC’s 
Resumo: O artigo analisa alguns recursos musicais e poéticos do rap “Fim de semana no Parque” (1993) e busca interpretar aspectos da crítica feita pelos Racionais MC’s à vida na cidade de São Paulo e no Brasil.

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6) Artigo de Guilherme Botelho, Walter Gracia e Alexandre Rosa, Três raps de São Paulo: “Política” (1994), “O menino do morro” (2003) e “Mil faces de um homem leal (Marighella)” (2012)

Resumo: O artigo sintetiza as principais linhas de atuação política do rap em São Paulo desde 1988, último ano da chamada “transição democrática” no Brasil. A seguir, apresenta um breve histórico da apropriação do Hip Hop e do desenvolvimento do rap em São Paulo ao longo da década de 1980. Por fim, analisa a atividade política de três raps paulistanos: “Política”, de Athalyba-Man, gravado pelo rapper em 1994; “O menino do morro”, de Eduardo Taddeo, gravado pelo Facção Central em 2003; e “Mil faces de um homem leal (Marighella)”, de Mano Brown, veiculado em clipe do Racionais MC’s em 2012. Nessas três análises, as formas das canções são interpretadas à luz de alguns impasses da sociedade brasileira.

 

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7) Artigo de Gabriel Feltran, “Sobre Anjos e Irmãos

Resumo: A bibliografia sobre as periferias urbanas, sobretudo em São Paulo, enfatizou sucessivamente a ação política dos movimentos de trabalhadores (anos 1970-1980) e a “violência urbana” (anos 1990-2000). A relação entre “política” e “violência” foi, entretanto, muito pouco discutida, como se “trabalhadores” e “bandidos” não coexistissem no tempo e no espaço e não construíssem mutuamente suas histórias de vida. Este ensaio se dedica a pensar essa relação, tomando como objeto heurístico a recuperação de fragmento da letra da canção “Charles Junior”, de Jorge Ben (1970), na abertura do álbum Nada como um dia após o outro dia dos Racionais MC’s (2002). Estudando a tradição expressiva condensada nessa citação, discuto as últimas cinco décadas de construção social do “crime” como guardião legitimado de valores políticos como paz, justiça, liberdade e igualdade em territórios das periferias urbanas.

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E aí? Curtiu as referências? Tem mais para pitacar? Deixe seus pitacos abaixo!

 

E bons pitacos :)

 

Até a próxima! #vaiterpitacosim

 

Pitacos por:

Marcia Cris Effe