5 referências de Jacques Rancière

pitacodemia-ranciere

Arte e filosofia, dois universos interessantíssimos. Hoje é dia de pitacos em torno da obra de um filósofo que influencia a produção do contribuinte Antônio Malta Campos, artista plástico, a quem resolvemos dar a palavra para compreender a relação entre esses dois universos na visão dele. Bons Pitacos!

 

Meu nome é Antonio Malta Campos. Sou artista plástico, nascido em 1961, e gosto de ler – para entender o que eu mesmo faço! Pois é. No ateliê, preciso tomar decisões que vão dar forma ao meu trabalho. Os livros me ajudam a tomar decisões. Ou deveriam ajudar! Sou desconfiado dos autores que escrevem sobre arte. Sempre fui. É um tema polêmico. Já li muitos autores. Li toda a história da arte. Li todos os críticos. Enveredei pelas ciências humanas. De uns anos para cá, tenho lido um autor que me parece mais lúcido que a maioria: Jacques Rancière. Ele é filósofo. Francês. Mas ele não tenta “aproximar” a arte da filosofia. Não é isso. Ele tem uma postura analítica, e gosta de ir às fontes, pesquisar, entender o que realmente aconteceu – e separar isso da versão posterior do que teria acontecido.

Influenciado por Michel Foucault, Rancière identifica “regimes da arte”, com suas próprias regras e histórias. Onde outros vêem desdobramentos e rupturas em uma suposta e única “história da arte”, Rancière enxerga a princípio três regimes diferentes, excludentes: o regime ético, o regime representativo e o regime estético. Antes que o parágrafo acabe, explico: o regime ético pode ser associado à Platão, o representativo é o definido por Aristóteles na Poética, e o estético… é o nosso! O nosso, a partir de Kant, Schiller, Hegel e outros, autores que admitiram um tipo de sensibilidade específica que não é nem totalmente racional nem apenas sensível – é a ponte entre os dois! A atração pela beleza estética – ou pela “arte” – pode se justificar a partir daí (pois a arte faz a ligação entre a razão e a sensibilidade). Rancière também faz uma análise da “partilha” deste sensível na sociedade e na própria arte, e essa análise obviamente é política, ou está na base da política… Recomendo a leitura, a começar pelo livrinho introdutório “A Partilha do Sensível” (em português pela Editora 34).

Vamos aos pitacos:

1) RANCIÈRE, Jacques. A Partilha do Sensível. São Paulo, EXO/Editora 34, 2005.

2) RANCIÈRE, Jacques. The future of the image. London – New York, Verso, 2009.

3) RANCIÈRE, Jacques. El espectador emancipado. Buenos Aires, Manantial, 2010.

4) RANCIÈRE, Jacques. Aesthetics and its discontents. Cambridge, Polity Press, 2009.

5) RANCIÈRE, Jacques. Aisthesis: Scenes from the Aesthetic Regime of Art. London – New York, Verso, 2013.

 

E você? Conhecia a produção de Rancière? Tem outros autores que poderiam ser associados com universo da arte? Deixe seus pitacos nos comentários.

Bons Pitacos!

 

Pitacos por:

Antônio Malta Campos

Artista Plástico