5 (+4) referências sobre masculinidades

Trabalho de Francisco Hurz - https://www.facebook.com/120133144807582/photos/pb.120133144807582.-2207520000.1405882248./318505648303663/?type=3&theater

Gênero é um assunto bastante ao site. Já tivemos pitacos sobre estudos de gênero (com foco em mulheres) e sexualidades, que traziam referências bem pertinentes. Os pitacos de hoje vão nessa linha, com com recorte específico: homens.

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Referências sobre masculinidades, para compreender e conhecer mais a fundo essa temática que tem orientado diversos estudos e reflexões nos campos da Antropologia, Psicologia, Sociologia entre outros. Quem nos traz as referências é Christina Montenegro, psicóloga que acabou de lançar um livro sobre o assunto.

Bom, é com ela que deixamos a palavra, que não apenas traz as referências como dá uma bela aula sobre o tema :) Bons pitacos!

"Masculinidades"- fotomontagem de Jerry Uelsmann

“Masculinidades”- fotomontagem de Jerry Uelsmann

Como Psicóloga, trabalho com psicoterapia, mas desenvolvo também, paralelamente, desde 1979 trabalhos (Oficinas de Reflexão) que mesclam Arte/Cultura/Psicossociologia/Educação, cujo foco nas questões de Gênero, e especialmente nas Masculinidades, foram se aguçando com o tempo.

Gênero e Masculinidades são temas interdisciplinares por natureza: envolvem Classe Social,  Religiosidades, Economia, Política, Cultura, Arte, Humor. Tratam de tudo que envolve a espécie humana e suas relações.

Pensar nas Masculinidades é um Humanismo.

Daí ter optado pela pós-graduação em Sociologia quando decidi transformar o que pensava sobre o assunto em livro.

As Masculinidades foram assumidas como “tema oficialmente em estudo” pelo universo das universidades nos anos 70; quando comecei em 1979 ainda não sabia disso.

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Mas percebi que era urgente estudá-las, a partir da minha experiência de algum tempo no exercício do Feminismo no Brasil: as mulheres estavam organizadas, e a turma que viria a assumir o nome LGBTT* começava a se organizar também no Brasil, a partir da iniciativa de Herbert Daniel, na época no exílio, mas nem por isso sem trabalhar ativamente assuntos socio-políticos.
O único grupo que não se organizava, e AINDA não se organiza, é o dos homens.

Daí a percepção de que era o grupo que mais precisava de trabalho (teórico e prático).

Da organização da mulheres, nasceu o Ator Social Mulher, isto é, nomear as mulheres pelo seu coletivo. Da organização da turma LGBTT* nasceu igualmente seu coletivo. Ao usarmos seus coletivos, sabemos imediatamente de que grupo humano falamos ali.

Como os homens ainda não se organizaram autonomamente, afirmo que “HOMEM AINDA NÃO EXISTE”; isto é, o Ator Social Homem ainda não existe; ainda não conquistou ser identificado pelo seu coletivo.

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Como Psicóloga e Psicoterapeuta, sempre soube que a atitude invasiva é contraproducente (no processo psicoterapêutico e na vida).

A maiêutica (o PERGUNTAR) continua sendo o método que preserva não só a Ética das relações humanas genericamente, mas que estimula a AUTONOMIA (de clientes, alunos, cidadãos, etc).

Daí meu livro não pretender “ensinar” nada aos homens, mas sim provocar reflexões, através de muitas perguntas provocativas, e buscando não perder o humor.

Vamos aos pitacos:

1) “A EPOPÉIA DE GILGAMESH” , anônimo, Martins Fontes.

Transcreve a segunda história encontrada em tábuas de argila da cultura suméria (a primeira relata a história de uma heroina feminina, Innana), falando do herói Gilgamesh, e seu amigo Enkidu, em forma de poema. Mitologia fundamental para a compreensão da importância do estudo das interioridades das Masculinidades, do universo inconsciente do contingente masculino.

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2) “UMA ARMA PARA JOHNNY”, de Dalton Trumbo, Civilização Brasileira.

Romance humanista, relatando a sobrevida do trágico protagonista, que alerta poeticamente sobre o teor autofágico do Caldo Cultural Patriarcalista Patrimonialista, o único vilão real tanto frente o debate das questões de Gênero, quanto das genericamente Humanistas.

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3) “PAI AUSENTE FILHO CARENTE – O QUE ACONTECEU COM OS HOMENS?” , de Guy Corneau, Brasiliense.

Primeiro livro sobre o assunto que conquistou leitores leigos, e deflagrou o comprometimento dos profissionais da área de humanas com o tema, mesmo fora da Academia e de consultórios.

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4) “RETORNO DA DEUSA”, de Edward C. Whitmont, Summus Editorial.

Um olhar psicoterapêutico humanista, que parte da Mitologia APOLO x DIONÍSIO, (mitologia que nos leva tanto ao universo Ético quanto ao Estético), e que propõe a mediação da dualidade provocada pelos dois deuses pela Mitologia de ÁRTEMIS, que faria o papel NÃO da feminização das mitologias masculinas, mas SIM o papel de retomada da possibilidade dialógica, de fala, de troca, de diplomacia.

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5)  “XY – SOBRE A IDENTIDADE MASCULINA”, de Elizabeth Badinter, Nova Fronteira.

Estudo minucioso de muitas questões sobre prováveis aspectos da construção das Masculinidades, curiosamente elaborado por uma profissional mulher, como eu, e como minha orientadora Marlise Matos, que não perde em momento algum o sabor de leitura  agradável.

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Além das referências, trazemos também 4 vídeos da Christina comentando tópicos que possuem relação com masculinidades:

6) Sobre a tendência ao silêncio dos homens:

 

7) Sobre o que significaria ‘ser homem':

 

8) Sobre a relação dos homens com médicos e afins:

 

9) Sobre homens/corpo/Estética/Dança:

 

E aí? Gostou das referências? Tem mais pitacos sobre o tema? Deixe seus comentários abaixo!

Bons Pitacos!

 

Pitacos por:

Christina Montenegro

Psicóloga e Supervisora de Psicologia Clínica; atriz; autora do livro “HOMEM AINDA NÃO EXISTE – Compartilhando reflexões para que ele exista”, sobre Masculinidades; e colaboradora do movimento  internacional “Homens, libertem-se”.

 

Imagem destacada:

Obra de Francisco Hurtz.