10 referências sobre filosofia do design

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Você ja ouviu falar sobre filosofia do design? Pois bem, é sobre esse tema os pitacos de hoje. Para explicar melhor essa área, dou a palavra a Marcos Beccari, especialista no assunto. Ele precisou de um pouco mais que 2 parágrafos, mas dá uma verdadeira aula sobre o assunto. Bons pitacos!

 

Mas então, que diabos é “filosofia do design”? Esta é uma pergunta que eu e alguns colegas tentamos responder semanalmente no seguinte site: http://filosofiadodesign.com/. Felizmente, pois, não é uma questão facilmente esgotável, tampouco restrita aos designers.

O próprio termo “design” é, sem dúvida, um dos mais populares da atualidade, de modo que praticamente tudo pode ser entendido como design: partes do corpo, performances sociais, cidades e modelos de negócios (além, é claro, de produtos, roupas, marcas, sites, livros etc.). Por isso que, para o filósofo contemporâneo Peter Sloterdijk, a noção de “design” não serve apenas como definição de uma atividade profissional ou de um produto/serviço, mas antes diz respeito a mediações, interfaces, reconciliações entre o novo e o velho numa existência socialmente compartilhada.Filósofo Peter Sloterdijk

Filósofo Peter Sloterdijk

Quando resultados científicos, por exemplo, confrontam nossas crenças tradicionais, procuramos encontrar um modo de reintegrar divergências e contradições, seguindo uma permanente demanda de expandir nosso universo de sentido sem abolir completamente as antigas ideias. Caso essa tarefa de mediação – aquilo que Sloterdijk denomina “design” – venha a falhar, ficaríamos presos num dilema paradigmático: ou a recusa reacionária de aceitar novos parâmetros ou a perda dilaceradora do próprio domínio do sentido.

É neste sentido que o filósofo alemão insiste na proposição de uma “filosofia do design” – não um design filosófico ou uma filosofia designística, mas uma reinterpretação filosófica do homem com base nas configurações simbólicas (design) de seu tempo. Vale sublinhar que Sloterdijk não foi o primeiro a cunhar tal expressão, ele é apenas um dos vários filósofos que têm se preocupado com uma “filosofia do design”. O fato é que as relações humanas são cada vez menos pautadas por referenciais totalizantes, de modo que a “aparência” das coisas valha pela própria aparência, e é isso que o design busca trazer para o primeiro plano. Ou seja, ao pensarmos sobre o design, encaramos as mediações simbólicas como um ponto de convergência de diferentes referenciais em disputa nas controvérsias inerentes a qualquer proposta de ação sobre o mundo. A lista que preparei aqui, portanto, segue o intuito de estabelecer um possível caminho introdutório para aqueles que porventura se interessem por este assunto.

Vamos aos pitacos:

1) AGAMBEN, G. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Chapecó: Argos, 2009.

2) BAUDRILLARD, J. A arte da desaparição. Rio de Janeiro: Editora UFRJ/N-Imagem, 1997.

3) BECCARI, M.; MIZANZUK, I.; PORTUGAL, D. B. Existe design? Indagações filosóficas em três vozes. Teresópolis, RJ: 2AB, 2013.

4) BOUTINET, J. P. Uma antropologia do projeto. Porto Alegre: Artmed, 2002.

5) FLUSSER, V. O universo das imagens técnicas: elogio da superficialidade. São Paulo: Annablume, 2008.

6) FLUSSER, V. Uma filosofia do design: a forma das coisas. Lisboa: Relógio D’água, 2010.

7) LATOUR, B. A cautious Prometheus? A few steps toward a Philosophy of Design (with special attention to Peter Sloterdijk). In: Proceedings of the 2008 Annual International Conference of the Design History Society, 2008, pp. 2-10.

8) RICOEUR, P. Hermenêutica e ideologias. Petrópolis: Vozes, 2008.

9) ROSSET, C. Fantasmagorías: seguido de lo real, lo imaginario y lo ilusorio. Madrid: Abada, 2006.

10) ZIZEK, S. A visão em paralaxe. São Paulo: Boitempo, 2008.

 

E aí, se interessou pelo assunto? Tem mais pitacos sobre? Comente abaixo.

Bons Pitacos!

 

Pitacos por:

Marcos Beccari

Doutorando pela USP / Professor na UFPR

Lattes: http://lattes.cnpq.br/1779138299755162