10 (+5) referências de histórias em quadrinhos

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2015!!! Voltamos após um período de férias.. Bom, deve ter dado tempo para vocês terem acessado um monte dos pitacos legais que tivemos ano passado não?

Bom, estreamos 2015 com um pacote de pitacos bem legais sobre História em Quadrinhos. Maurício Zanolini, dos Quadrinheiros, nos trouxe uma contribuição bem rica e recheada para quem deseja conhecer mais desse universo… Muita coisa legal!! Bom, como é ele que entende do tema, vamos deixar ele nos contar sobre as referências ;) Bons pitacos!!

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História em quadrinhos não é coisa pra iniciante. Pelo menos é assim que aqueles que gostam, lêem e são fãs, gostam de acreditar. Pior, quem não faz parte dessa tribo pode sentir uma razoável suspeita de que há algo de muito complexo sobre tudo isso e é melhor não perguntar, um mundo secreto reservado pra poucos…

Se é o seu caso, nada tema! Vamos remediar isso já!

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Há uns bons 15 anos, temos sido bombardeados com obras originais ou produtos derivados dos quadrinhos no cinema e televisão. Boa parte dessa produção é uma transposição de histórias que têm sido publicadas desde antes da 2ª Guerra Mundial, quando surgiram os primeiros heróis de quadrinhos nos Estados Unidos. O Superman foi publicado pela 1ª vez em 1938. O Batman, em 1939. De lá pra cá, muita coisa aconteceu e pouquíssimo se perdeu.

Assim como o cinema, o teatro, pintura, literatura, as histórias em quadrinhos têm cânones, gêneros, autores consagrados e referências que definem essa linguagem e que a distinguem como verdadeira forma de arte. Difícil é selecionar os mais importantes. Mas entre aquelas que se não mudaram, certamente revolucionaram essa arte estão:

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1) Flash Gordon de Alex Raymond e Tarzan de Hal Foster, de 1934.

Clássicos dos clássicos em quadrinhos. O traço desses dois artistas definiu o que eram quadrinhos de super-heróis. São um marco da Era de Ouro.

1 Flash Gordon

2) Fantasma de Lee Falk, de 1936.

O primeiro herói mascarado da história dos quadrinhos e um dos primeiros a possuir super poderes.

2 Fantasma

3) Action Comics n. 1, 1938, de Jerry Siegel e Joe Shuster.

Icônica 1ª aparição do Superman, quando o herói era capaz de saltar mais alto que um arranha-céu invés de voar. Essa é uma habilidade que o último filho de Krypton passou a ter apenas em edições posteriores.

3 Action Comics #1

4) Captain America n. 1, de Jack Kirby e Joe Simon, Outubro de 1941.

Embora a capa indique Março, a revista foi publicada apenas meses depois. Não só importante pela 1ª aparição de um dos maiores personagens da Timely (antes de virar Marvel), mas porque mostrava o herói patriota socando Hitler ANTES dos Estados Unidos entrarem na 2ª Guerra Mundial.

4 Capitan America #1

5) Crime Suspense Stories n. 22, capa de Johnny Craig, 1954.

A revista, assim como todas da editora EC, provocou uma revolução nos quadrinhos. Ela foi usada como “prova” num sub-comitê do governo americano de que os quadrinhos traziam conteúdos perturbadores e que induziam jovens leitores à imoralidade, delinquência e ao crime. As editoras criaram um mecanismo de auto-censura, o Comics Code, que “enquadrou” os conteúdos em quadrinhos em histórias conformistas e sempre a favor da família, do governo e suas instituições.

5 Crime Suspense Stories #22

6) Showcase n. 4, de 1956, de Robert KanigherJohn BroomeCarmine Infantino.

A primeira aparição de Barry Allen, o Flash. Na verdade Allen é o 2º herói da DC que usou o nome, daí a importância da revista: ela marcou uma renovação da editora, que passou a recriar muitos de seus antigos personagens para um novo público. A marca dessas histórias era a exploração de temas ligados à mais pura ficção científica.

6 Showcase #4

7) Fantastic Four n. 1, de Jack Kirby e Stan Lee, de novembro de 1961.

Divisor de águas na história dos quadrinhos, Fantastic Four foi o carro-chefe da revolução editorial que deu origem ao Homem-Aranha, Homem de Ferro, Hulk, Thor, X-Men, Demolidor e todo o panteão da Marvel. O diferencial? Basta de super-heróis perfeitos! A moda agora eram heróis com dilemas morais, imaturos, problemáticos e levemente desajustados, heróis para uma nova geração.

7 FantasticFour #1

8) Green Lantern n. 85, de Dennis O’Neil e Neal Adams, de 1971.

Um momento icônico quadrinhos, esta edição retratava o parceiro-mirim do Arqueiro Verde, Ricardito, como um viciado em drogas, um vício para o qual o mentor tinha sido negligente demais para ter notado. Esta faz parte de uma série celebradíssima, a parceria do escritor Dennis O’Neil com o desenhista Neal Adams, em que eles submeteram os heróis a um mergulho na América profunda. O contraste da personalidade e valores dos heróis era o mote das histórias: de um lado o conservador e pró-estabilishment, Lanterna Verde; de outro, o libertário Arqueiro Verde.

8 Green Lantern #85

9) Giant Size X-Men, de Len Wein e Dave Cockrum, de 1975.

Criados em 1963, os X-Men nunca despertaram muito interesse do público e suas vendas eram baixas. Esta edição mudou tudo. Wein e Cockrum redimensionaram a dinâmica dos heróis mutantes, agora não apenas um grupo de alunos sob a tutela de Xavier, mas uma população crescente em escala global. O novo grupo agora era multinacional: Colossos, da União Soviética, Tempestade, do Egito, Banshee, da Irlanda, Noturno, da Alemanha, Thunderbird, dos Estados Unidos, e Wolverine, do Canadá, além do veterano Ciclope. O universo Marvel (e as vendas) nunca mais seria o mesmo.

9 GS X-Men

10) Batman: o Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, de 1986.

Na época foram publicados em 4 volumes. Essa história é um dos marcos definitivos do Batman, talvez ainda maior do que quando foi criado. Frank Miller criou uma versão mais sombria, violenta e obsessiva do herói, ali um cinquentão que volta à ativa no momento mais obscuro da sua amada Gotham City. Uma das mais controversas e sublimes obras-primas dos quadrinhos.

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11) Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, de 1987.

Esqueça o filme homônimo. Ao lado de Cavaleiro das Trevas, provavelmente esta é uma das maiores obras-primas dos quadrinhos. Watchmen narra os efeitos da existência de heróis mascarados na realidade. Essencialmente eles são todos criminosos e basta apenas um com superpoderes para mudar completamente a face da Terra.

11 Watchmen

12) Sandman, de Neil Gaiman, capas alucinadas de Dave Mckean e uma variedade de desenhistas, de 1989 a 1996.

Jóia da coroa dos quadrinhos, impossível selecionar uma edição. Toda a série Sandman é de um valor absolutamente singular. Por quê? Neil Gaiman ganhou carta branca da DC para usar o nome de um velho herói de uma revista obscura. No fim, o autor britânico acabou expandindo todos os limites dos quadrinhos inserindo referências dos contos de fadas, mitologia, religião, política, cultura pop, e tantas outras para contar a história de Sonho, um dos 7 perpétuos, ao lado de Destino, Morte, Destruição, Desespero, Desejo e Delírio, seres/conceito mais poderosos que os próprios deuses. Imperdível.

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13) Asilo Arkham, de Grant Morrison e Dave McKean, 1989.

Uma das mais célebres histórias de Batman, ao lado de Cavaleiro das Trevas e A Piada Mortal, aqui o herói é obrigado a fazer uma insólita visita ao manicômio, onde seus piores inimigos como o Coringa e Duas-Caras mantém reféns indefesos. O desafio não é vencer os rivais. O maior medo do herói é não conseguir voltar. Uma delirante reflexão sobre moral, sanidade, escolha e justiça.

13 Arkham Asylum A Serious House on Serious Earth #1

14) Spawn, de Todd McFarlane, de 1992.

Esta edição, ao lado de Wild C.A.T.S. de Jim Lee, Cyber Force de Marc Silvestri e Youngblood de Rob Liefeld, foi o estandarte que inaugurou a Image Comics, uma “3ª via” que tentava escapar do “cartel” da Marvel e DC. Menos pela qualidade dos enredos e mais pelo estilo visual que definiram, a Image foi uma resposta daqueles desenhistas à draconiana política de direitos autorais da Marvel. A Image refinou um estilo que já vinha se consolidando – com sucesso – na Marvel e DC: heróis anabolizados, heroínas seminuas, com dentes cerrados e armados como tanques de guerra. Cores fortes, muitas explosões, muita raiva, muitas armas. Histórias, nem tanto.

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15) Marvels (1994), de Kurt Bisiek/Alex Ross e Reino do Amanhã (1996), de Mark Waid/Alex Ross.

As duas séries foram consideradas por Grant Morrison como marcos do “Renascimento” dos quadrinhos. A ideia procede. O estilo de Ross é, sem dúvida, renascentista: as páginas não ficam devendo nada a Rafael Sanzio ou Michelangelo. Marvels conta a história dos heróis da editora pela perspectiva inovadora e saborosa de um humano comum, o fotógrafo Phil Sheldon. Reino do Amanhã narra o retorno dos heróis da “velha guarda” da DC, Superman, Batman e Mulher-Maravilha, de volta à ativa num futuro em que os “heróis” perderam a noção de sua importância. Ambas as histórias têm um espírito nostálgico e celebram os primeiros dias – e exemplos – da conduta heroica, uma restauração de algo que havia sido perdido após anos. Pura metalinguagem que remete à própria história das histórias em quadrinhos.

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E ai? Gostaram das referências? Tem mais para dar pitacos? Então deixe seus comentários abaixo…

Até a próxima e Bons pitacos!

Pitacos por:

Maurício Zanolini

Do coletivo Quadrinheiros (Sidekick, Nerdbully, Picareta Psíquico, Velho Quadinheiro, Quotista), uma equipe formada por profissionais, mestres e doutorandos em Arte e História que preservam suas identidades civis para mergulha na Nona Arte buscando referências e aprofundando a leitura dessa forma de narrativa tão subestimada mas que é cada vez mais influente na cultura pop.