10 (+1) referências sobre cultura do estupro

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O Pitacodemia está de volta. E com um tema bastante sério e importante de ser discutido: cultura do estupro.

Recentemente, houvera muita comoção nacional em relação ao caso emblemático e violento do estupro de uma menina de 16 anos por cerca de 33 homens. A violência, triste e desumanizadora em todos os aspectos, tomou contornos mais agressivos pela quantidade de pessoas falando, especulando e insistindo em duvidar e questionar a vítima, gerando a sensação de que a vítima tivesse culpa pela violência sofrida. Um absurdo!

Bem, no decorrer dos fatos e comoções, recebemos essa brilhante contribuição de Maria Borges com pitacos de documentários que abordam a questão da cultura do estupro, tangenciando temas como exploração sexual, falsas ideias de liberdade sexual das mulheres.

Falar de estupro e sexualidade é delicado, no entanto, não é possível faze-lo sem olhar para eventos (como esse recente no RJ) sem conectá-los com atitudes e percepções micros – quase imperceptíveis – presentes no cotidiano. Atitudes essas, como as mulheres vêm ensinando à sociedade teoricamente e politicamente, engendradas e encrustradas na cultura do machismo patriarcal que respalda a noção de que o corpo e a sexualidade da mulher percebe ao desejo e interesse masculino.

Um grande problema pois não se trata apenas dos episódios de crime violento (que já são absurdos, afinal no Brasil uma mulher é violentada sexualmente a cada 11 minutos) mas de toda uma série de micro e macro momentos e comportamentos que reproduzem essa lógica de opressão na sociedade. E isso, não pode ser ignorado se queremos falar de igualdade, respeito e liberdade para tod@s.

Os pitacos abaixos estão comentados – pela Maria -, mas antes caso tenha dúvidas, assista esse pequeno vídeo que fala um pouco sobre Cultura do estupro:

 

Esse assunto está em todos os lugares, ou seja, não é só um caso ou outro.

Vamos ver os pitaco… Ah, praticamente todos eles estão no Netflix (ou acha fácil na net também…) ;)

 

1. Nascidos em Bordeis.

Nascido no bordéis, é um documentário dirigido por Rouss Kauffman e pela fotógrafa britânica Zana Briski. O documentário relata o cotidiano das favelas e dos Bordéis da Índia. Zana, fez um projeto de fotografias com as crianças nascidas nesse distrito, eles fotografaram o que era visto em sua rotina, no intuito de denunciar o problema social. É mostrado a dificuldade de incluir as crianças na escola por serem filhos de prostitutas. Meninas nascidas de prostitutas já estão determinadas pela sociedade a seguir o mesmo passo.

2. Tricked.

Tricked, é documentário americano mostrando o tráfico sexual. Onde lucram-se bilhões por ano com a exploração sexual. Têm relatos de cafetões, das prostitutas e ex-exploradas, dos clientes que alimentam o tráfico sexual, e dos policiais que faz inúmeras operações no intuito de prendê-los os envolvidos.

 

3. Sexy My British Job.

Sexy My Bristish Job, é documentário londrino que dois repórteres disfarçado afim de denunciar a exploração sexual, na zona norte de Londres. A maioria dos explorados no bordel são imigrantes ilegais.


4. Hot Girl Wanted.

Hot Girl Wanted é documentário para mostrar o esquema de pornô amador em Miami. Onde garotas com idades de 18 a 20 anos, são ” seduzidas” a entrar no sistema de exploração sexual. O documentário não trata o problema de uma maneira crítica, consciente aos problemas expostos. De uma maneira superficial mostrar-se uma vida de ostentação, com riscos de DST, ou problema com a família ao saber do ganha pão da garota, e como naturalizada os preconceitos dos amigos ao saberem que a atriz está noiva. O exploradores sexuais têm consciência que no meio da hipocrisia continuam financiando a indústria pornográfica.

 

5. Iceberg Slim – Portrait of a pimp.

Iceberg Slim- Portrait of a pimp. É um documentário sobre a vida do escritor afro-americano, Iceberg Slim, antes de torna-se escritor foi um cafetão. O filme têm relatos dele, com quem conviveu e o tem como ídolo. Iceberg Slim, deu início à literatura negra americana, seus livros contam as histórias das comunidades negras, com prostituição, violência, tráfico de drogas, cafetinagem, misoginia e auto-ódio entre os negros.

 

6. After Porn Ends.

After Porn Ends, o documentário americano mostra a vida de ex-atrizes da pornografia, e quem continua na indústria pornográfica. É mostrado algumas consequências entre vícios, problemas de saúde, recaídas, sucesso carregados de preconceitos.

 

7. Stripper.

Stripper, é documentário americano de 1986, que se passam Las Vegas. O início de concursos de stripper, em que mulheres danças seminuas ou com perfomance burlesca. Vale pena ver é mostrado como foi naturalizado a objetificação do corpo da mulher, no qual sempre tiveram intuitos de trazer homens para os estabelecimentos para gastar muito dinheiro no local.

 

8. India’s Daughter.

India’s Daughter é um documentário mostrando o caso da indiana estudante de medicina, estuprada e espancada por 6 homens dentro de ônibus, tendo o falecimento  no hospital. Com relatos de familiares, de um estuprador, de profissionais do estado, de ativistas, é mostrado o machismo, a cultura de estupro no país. Alguns mantém o mesmo discurso condenando a vítima por estar em um coletivo as 20:00 da noite voltando para casa, depois de uma sessão de cinema com um amigo.

 

9. Ukraine Is Not A Brothel.

Ukraine is not a Brothel, é documentário mostrando o protesto das ativistas Femen. Que elaboram protestos equivocados, mas que tiveram o intuito de denunciar a violência com as mulheres. Na época os protestos era comandados por Viktor Sviatsky. Isso mesmo apesar delas lutarem por igualdade de gênero ainda tinham como tutor um homem. Todas ações do FEMEN, em todo mundo, não tiveram efeitos positivos por ter tido teorias contraditórias.

 

10. Addicted to Sexting.

Addicted To Sexting é um documentário que mostra um comportamento da sexualidade com a tecnologia. Trocas de mensagens sexuais, e os famosos nudes ( foto do corpo nu), pessoas de diferentes idades exploram a sexualidade assim, afim de seduzir ou não. Também é mostrado as consequências dos atos.

 

11. Love Me.

Love Me é documentário mostrando homens do americanos que buscam suas noivas em site de ” noivas por encomendas”. Mulheres criam um perfil no site no intuito de ser encontrada por um homem disposto a casar.

 

 

E aí, se interessaram pelas referências? Conhece outras? Deixe seu comentário abaixo…

Bons pitacos e até a próxima!

 

Pitacos por:

Maria Borges
Feminista, 21 anos. Moradora de uma favela carioca pretende cursar jornalismo.